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5 de maio de 2017

Ministra Luciana Lóssio recebe homenagem em seu último dia no TSE

A ABRADEP, muito bem representada no evento por alguns de nossos membros, deseja à Ministra mais sucesso na sua jornada e agradece pela grande contribuição para o crescimento da representação feminina no universo jurídico.


O biênio da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luciana Lóssio encerrou-se nesta quinta-feira (4). Em agradecimento por seu trabalho em defesa de maior espaço para as mulheres na política e por sua exitosa atuação na Corte Eleitoral ao longo de quase seis anos, o movimento Mais Mulheres no Direito prestou uma homenagem a ela.

Em nome do Movimento, a vice-governadora do Piauí, Margarete de Castro Coelho, disse que a despedida da ministra do Tribunal é a celebração de um marco glorioso de avanço do empoderamento feminino, adentrando  ao quase restrito universo jurídico masculino.

A vice-governadora lembrou que Luciana Lóssio foi a primeira ministra do TSE da classe dos juristas e que a história dela é a de todas as brasileiras. “Essa história que você construiu, com todas as dores e delícias, conquistas e frustrações, que podem lhe ter custado, deixa de ser apenas uma experiência pessoal sua para tornar-se um capítulo importante na conquista das histórias das mulheres do Brasil”.

Para a vice-governadora , as reivindicações feministas encontraram na ministra  uma aliada importante. Ela destacou que a lei de cotas para as mulheres foi um largo passo dado, mas se não tivesse tido o apoio da ministra ainda não haveria entendimento para nortear o julgamento de ações sobre o tema.

A vice-governadora traçou um paralelo entre os êxitos profissionais e pessoais da ministra. “Se na vida profissional jogou o corpo na luta e nos desafios, na vida pessoal fez o mesmo é uma habilidosa praticante de hipismo, onde também se destacou conquistando disputas importantes. Ultrapassar obstáculos saltando a cavalo deve ser mesmo uma atividade própria de gente que nasceu para não ter medo de enfrentar desafios, estejam eles onde tiverem, seja na hípica, seja na vida, seja no Tribunal”, concluiu.

O Movimento presenteou a ministra com uma escultura do artista plástico Giuseppe Bosica. Já em nome do Colégio Permanente de Juristas da Justiça Eleitoral – COPEJE, a desembargadora  Kamille Castro do Tribunal Regional do Ceará entregou uma placa à ministra.

Ministra Luciana

Ao agradecer a todos pela homenagem e presença em sua última sessão no TSE, a ministra Luciana frisou que, apesar dos avanços, ainda não há muito o que comemorar no campo das conquistas femininas.  “Lamentavelmente, nós ainda temos uma enorme luta pela frente. O Brasil possui uma sub-representação feminina muito grande e uma desonrosa classificação. Perdemos para todos os países da América do Sul e,  no Continente Americano, só estamos à frente de Belize e Haiti”, disse.

A ministra destacou a importância dos julgados do TSE quanto à representação feminina. Segundo ela, os partidos políticos estão mais atentos quanto a possíveis irregularidades como a apresentação das chamadas candidaturas femininas laranjas – registradas somente para cumprimento de cota -, e o uso indevido do tempo da propaganda partidária e dos recursos do fundo partidário destinados às mulheres.

Para ministra, os avanços das conquistas das candidatas só foram possíveis graças a inúmeros encontros e  debates realizados entre a Justiça Eleitoral e movimentos como os presentes hoje no TSE em sua homenagem.

Quanto a mais mulheres na magistratura, Luciana Lóssio disse que ficará  muito feliz no dia em que o TSE ou Supremo Tribunal Federal for composto em sua maioria por mulheres. “Somos inclusivas, pode haver homens. A maioria sendo mulheres já está bom”, conclui a ministra.

Trajetória

Antes de se tornar ministra do TSE, Luciana Lóssio foi advogada na área do direito eleitoral. É membro do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (Ibrade). Atuou por sete anos, de 1999 a 2006, na Procuradoria-Geral da República. Por conta da desigualdade de gênero no poder, a ministra dedicou boa parte de sua participação no TSE, além dos votos que proferiu individualmente ou em Plenário, em iniciativas para aumentar o envolvimento das mulheres na política.

Fonte: tse.jus.br  (aqui)